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Manifestações Culturais

Reinado de São Benedito

 

As pesquisas apontam que D. Maria I, Rainha de Portugal, em agradecimento ao envio do dinheiro pela Vila de Cairu para a reconstrução de Lisboa, arrasada pelo terremoto de 1755, concedeu à irmandade de São Benedito da então Vila de Nossa Senhora do Rosário de Cairu festejar seu padroeiro com solenidades reais, assistidas por dois “soberanos”, sugerindo ainda,  que o ponto mais alto da festa fosse  a coroação do “rei negro”, como já se fazia em suas colônias africanas. Esse decreto curioso teria concedido aos negros de Cairu o direito de participar das sobras da solenidade de natal dos brancos. Porém, como os negros não podiam participar das festividades do natal juntamente com os brancos, eles passaram a dançar e cantar em honra ao seu santo negro – São Benedito – no dia após o Natal. Dali por diante, o dia 26 de dezembro ficou destinado ao culto a São Benedito – o primeiro de um negro no contexto dos descobrimentos portugueses. 

 

A família real dessa manifestação compõe-se desde suas origens do rei e da rainha, príncipe, princesa, juiz, juíza, todos negros exceto príncipe e princesa, que eram brancos e arcavam com as despesas (comida, roupa e outros utensílios da festa). Forma encontrada pela classe dominante da época para ter o controle da festa e perpetuar a  detenção do poder.

A beleza da festa atinge seu ponto mais alto na descida da Bandeira, durante a qual, em presença da Igreja (os franciscanos), de reis e rainhas (os que estão entregando e os que recebem o cetro), Congos, Chegança, Marujada e povo cantam “tira a coroa do Rei de lá; bota a coroa no Rei de cá” – As raízes africanas ficam então claramente visíveis nessa comemoração festiva da coroação do novo rei. Tudo em ambiente e ritual de reverência ao seu glorioso São Benedito.

Congos

Folguedo que retrata os negros oriundos da África que povoaram essas terras, trazidos pelos colonizadores portugueses, principalmente do Congo, a grande região africana banhada pelo rio Congo que lhe dá o nome peculiar.

 

O conjunto é constituído de 13 a 25 elementos e sua indumentária consiste em camisa e calça branca, saia rodada a altura dos joelhos semelhante às baianas formando um saiote de chita colorida, chamado “saiá” que é  , sustida por uma armação de cipó e uma capa colorida nos ombros enfeitada por lantejoulas,  trazem na cabeça uma espécie de coroa.

 

Eles se organizam em  duas filas paralelas, dançam com ritmos próprios, ao som de instrumentos de origem africana – os ganzás –  feitos de bambus,  no meio fica o mestre (patrão) do grupo que tem saia e capa diferente dos demais, e toca o tamborim de coro de carneiro em forma de trapézio e um apito. Os “congueiros” tocam seus “ganzás” dançando com postura do corpo marcada pela velocidade dos passos e pela independência entre membros superiores e inferiores. O   Patrão dos Congos ao marcar o compasso baila de modo típico, pulando aqui e ali, no que é acompanhado por todo o grupo. Em seus cantos reverenciam São Benedito e suas letras evocam a sofrimento e saudade da terra distante.

 

Em Cairu o grupo faz parte do cortejo de São Benedito, que acontece entre 08 de dezembro a 06 de janeiro. Esse folguedo corre as ruas o dia inteiro cantando e dançando acompanhando o reinado e  reverenciando o santo protetor. 

 

Chegança

 

A Chegança, também é outra manifestação popular que acompanha o Reinado de São Benedito em Cairu. O grupo é composto por 12 a 24 integrantes. Vestidos de marujo com pandeiro na mão, os “cheganceiros” formam duas filas laterais, o centro é ocupado pelo mestre, que se caracteriza com uniforme de oficial, possui ainda uma espada, um apito e uma corneta nas mãos, junto com ele vai o contramestre, que também tem um uniforme diferenciado e possui uma espada e uma corneta.

 

O espetáculo, composto de episódios independentes, lembra as saudades que os marujos portugueses sentiam de sua terra de origem, Portugal, dos amores deixados nas portas e também as dificuldades enfrentados durante as longos travessias marítimas.

 

No dia 26 de dezembro a Chegança junto com os Congos percorrem a cidade cantando e exibindo coreografias diversificadas conduzindo a corte para assistir a missa solene da manhã. O mesmo espetáculo se repete no segundo domingo de janeiro encerrando o ciclo de festas de São Benedito, ocasião em que esses grupos se desafiam nas honrarias ao santo, de modo especial no momento da troca da coroa, que é “tirada do rei de lá” e colocada “no rei de cá”.

 

Fanfarra

A FAMUCA- Fanfarra Municipal de Cairu foi criada em 08 de março de 2002, com o objetivo de  evitar o contato de jovens e adolescentes da comunidade com as drogas e o ócio.

Por quatro anos (de 2005 a 2008) a FAMUCA participou do Campeonato Baiano realizado pela LICBAMBA - Liga Cultural de Bandas e Fanfarras Musicais da Bahia, quando obteve o título de tricampeão baiano consecutivo, ficando no último ano com o Título de Campeão Geral no nível de Evoluções, o que significa um marco para o Grupo.

FILARMÔNICA CENTRO

POPULAR CAIRUENSE

Uma filarmônica é coisa de gente  sensível, que tem gosto pela harmonia musical e pela vida em comunidade.

Por certo foram esses sentimentos que uniram no passado já distante, aqui em Cairu, homens como João Vieira, João Celso, Antônio Tiago, mestre Leonel, Isaquino Ribeiro, Acacio,  Otaviano Passos, Amâncio Ribeiro, Heitor Brandão, dentre outros, para criar em 1912, há mais de cem anos, o nosso Centro Popular Cairuense. 

Atualmente é composta por 30 integrantes, que tem a oportunidade de aprender a arte da música “pré-erudita”, uma vez que desenvolvem habilidades para executarem diversos instrumentos, bem como a leitura da pauta musical.

 

Dandoca

A Dandoca é uma grande boneca de pano feita com uma armação de madeira. A sua cintura é localizada na altura dos olhos do dançarino/carregador (a pessoa que dança do interior da boneca e que se orienta através de pequena abertura na saia).

 

Manifestação popular muito querida, a  Dandoca se apresenta nos momentos festivos da comunidade e é  acompanhada das “dandoqueiras” – as “moças” que dançam e cantam durante o cortejo e nos pontos de apresentação. Esse numero de dançarinas varia entre 10 e 15 mulheres que seguem atrás cantando e dançando ao som da charanga.
 

Samba de Roda

 

O samba de roda surge na Bahia por volta do século XIX  como uma variante do samba tradicional. Como o nome já diz, o samba é dançado no meio de uma roda formada pelos participantes que cantam e tocam.

A dança no Samba de Roda é feita principalmente da cintura para baixo com um deslizar para frente e para trás dos pés colados ao chão e a correspondente movimentação dos quadris. O canto e os toques ocorrem ao mesmo tempo e várias pessoas podem sambar na roda; apenas uma pessoa pode sambar no meio, quando esta cansa, dá uma “umbigada” (bate cintura com cintura) em outro componente da roda e troca de lugar.

Os grupos são compostos por  mulheres de idade variada,  mas geralmente idosas; sua indumentária consiste em uma saia de chita, uma blusa com os ombros a mostra e uma flor no cabelo. É acompanhada por um conjunto de homens que tocam atabaque e pandeiro acompanhado por canto e palmas no ritmo afro-descendente.

No município de Cairu atualmente existem 3 grupos organizados: Gamboa, Galeão e Boipeba.

 

Boi Malhado

O folguedo "Bumba Meu Boi" narra a história da morte e “ressurreição” de um boi sequestrado  por um vaqueiro para saciar o desejo da mulher Catirina (grávida e com desejo de comer a língua do bovino). Catirina desejava comer a língua do boi, mas o boi não morria. Então mandam chamar o doutor que faz uma receita de remédio, mas o boi não levanta. Vem o pajé e faz uma pajelança, aí o boi levanta e urra.

 

O Boi Estrela de São Sebastião constitui-se além do boi,  do vaqueiro e da Catirina,  de um grupo de mulheres que dançam e cantam na roda acompanhados por homens que tocam instrumentos variados contando ainda com a participação  da Nega Maluca que diverte a todos.

 

Capoeira

A história da capoeira começa no século XVI, na época em que o Brasil era colônia de Portugal. Veio com os negros africanos utilizados como escravos  principalmente nos engenhos (fazendas produtoras de açúcar) do nordeste brasileiro. Muitos destes escravos vinham da região de Angola, também colônia portuguesa. Os angolanos, na África, faziam muitas danças ao som de músicas.

A prática da capoeira ocorria em terreiros próximos às senzalas (galpões que serviam de dormitório para os escravos) e tinha como  principais funções a manutenção da cultura, o alívio do estresse do trabalho e a manutenção da saúde física. Muitas vezes, as lutas ocorriam em campos com pequenos arbustos, chamados na época de capoeira ou capoeirão. Do nome deste lugar surgiu o nome desta luta, Capoeira.

No município de Cairu existem atualmente vários grupos de capoeira, tanto na Sede como nas localidades de Morro de São Paulo, Boipeba,Gamboa e São Sebastião.

 

Barquinha

Pequena Barca de madeira semelhante às caravelas do século XV que aportaram no Brasil. Ela se desloca pelas ruas em cima de quatro rodas, puxada por duas cordas, uma de cada lado.

No desenrolar da brincadeira a barca é lentamente puxada por 30 marujos, 15 de cada lado, sob o comando de 04 oficiais e 01 comandante, todos vestidos a caráter,  conforme uniforme da Marinha. Os marujos cantam balançando as cordas e os corpos, os oficiais  vão à frente junto com o comandante. Dentro da barquinha vão três crianças do sexo feminino representando as três Marias, vestidas de branco, tendo a cabeça coberta por um véu, cingido por uma grinalda de flores brancas, e na mão um pequeno pandeiro e três crianças do sexo masculino vestidas como reis, trazem coroa dourada sobre a cabeça, manto e cetro real representando os três Reis Magos. Estas crianças devem ser: uma criança branca, uma mulata e uma negra, simbolizando os reis: Baltazar, Belchior e Gaspar.

Após percorrerem as principais ruas da sede municipal os integrantes do folguedo deixam a barca estacionada na Rua Direita e saem cantando uma balada: é o lamento que relata a triste vida dos marujos; a luta e pesares dos marujos portugueses que desbravaram mares e por isso cantam tormentos. O término da brincadeira acontece no Convento Santo Antônio, aonde a Barquinha é recolhida até o ano seguinte.

 

Caretas ou Zambiapungas

Este folguedo é um legado dos antepassados africanos, como o próprio nome indica. Os escravos celebravam esta cerimônia em homenagem ao deus do Candomblé Zamiapomgo, produto de sincretismo religioso, isto porque era sempre celebrado na véspera da festa de Nossa Senhora do Rosário, padroeira da cidade de Cairu. O negro naquela época, vítima de cruel tirania dos brancos, mesclava tudo como válvula de escape, higiene mental e espiritualidade que lhe dava o direito de viver e desabafar suas mágoas como os demais.

O grupo é integrado por homens e mulheres de idades variadas. Os componentes cobrem o rosto com máscaras, vestem-se com o “dominó” (um macacão folgado estampado de diversas cores), trazendo na cabeça  um capacete angular enfeitado com papel de seda colorido. Seus instrumentos musicais são a enxada, da qual tiram som característico batendo com um prego grande (cavilha) e um grande tambor de guerra; são acompanhados por um ou dois participantes que sopram búzios e tocam cuícas.

Antigamente, o ensaio era feito atrás do muro do Convento Santo Antônio todos os dias a partir das 20h, tendo por dirigente o Velho Manduba ou Mestre Duba.

Atualmente os ensaios acontecem apenas em outubro, na época das novenas em homenagem a padroeira. O ensaio sai da porta da Matriz de Nossa Senhora do Rosário percorrendo as principais ruas da cidade. No dia da festa às 04 horas da manhã, o grupo inicia a sua concentração, ao som da “alvorada” (21 bombas são soltadas, junto com foguetes e girândolas) e a partir das 05h saem à rua anunciando o início dos ritos da Festa do Rosário.

Ressaltamos a participação de toda comunidade durante o animado desfile que é um misto de cores e sons, gerando uma onda contagiante de animação por onde passa, neste momento não existe mais preconceitos, crianças, jovens adultos e idosos, brancos e negros participam da brincadeira.

Na segunda-feira, após a festa, também chamada a segunda-feira do Rosário, por volta das 16h o grupo volta às ruas da cidade, para o “casamento dos caretas”, os integrantes fantasiados assumem os papéis de: noivo, noiva, juiz, testemunhas, padre, etc. A cerimônia percorre as ruas ao som de uma banda de sopro, no final do casamento todos tiram a máscara e começa uma batalha de talco, virando um verdadeiro carnaval que avança pela noite até todos ficarem cansados.

Terno de Reis

 

A Festa de Reis ou Folias de Reis é um festejo de origem portuguesa ligado às comemorações do culto católico do Natal, trazido para o Brasil ainda nos primórdios da formação da identidade cultural brasileira, e que ainda hoje mantém-se vivo nas manifestações folclóricas de muitas regiões do país.

Fixado o nascimento de Jesus Cristo a 25 de dezembro, adotou-se a data da visitação dos Reis Magos como sendo o dia 6 de janeiro. Em Cairu, esse festejo sempre acontece no segundo domingo de janeiro, junto com o encerramento dos festejos de São Benedito.

O Terno de Reis de  Cairu  é composto por alas. A primeira são as  pastoras (mulheres de idades variadas) que formam duas filas paralelas, todas se vestem iguais,  com vestido longo e colorido, com uma tiara na cabeça e nas mãos levam lanternas e adereços; a segunda ala é aberta por uma uma pessoa representando a Estrela Dalva, em seguida vem as “figuras” do terno, que variam conforme o tema, quando o terno leva o nome das Rosas da Primavera as ‘figuras” representam os diversos tipos de rosas (vermelhas, amarelas,etc.) quando o tema está voltado para as maravilhas do fundo do mar  as “ figuras” representam o universo marinho (búzio, concha, perola,etc). Esta parte do terno é encerrada pela Porta Estandarte que com elegância e “glamour” carrega o tema do Terno; em seguida vem a ala das ciganas e encerrando o desfile os Três Reis Magos. O desfile é acompanhado por uma banda de sopro e percusão.

O terno teve inicio  há mais de 50 anos, apresentado-se no domingo da festa; atualmente apresenta-se no sábado abrindo os festejos de encerramento do Ciclo de Festa de São Benedito da Portaria de Cairu.

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